Quais são as limitações do Monero?

Nem tudo são flores no mundo das criptomoedas. Apesar de todos os avanços tecnológicos vivenciados nos últimos anos, elas ainda não são perfeitas e estão sujeitas a passar por momentos ruins. Tudo pode acontecer, desde falhas mais simples, que são corrigidas sem danos, até falhas mais graves, causando a perda irreversível de todo o dinheiro investido.

Um dos erros mais comumente cometidos pelos investidores novatos é se informar apenas sobre as vantagens e os benefícios das moedas. No entanto, na hora da tomada de decisão, é fundamental levar-se em consideração os pontos fracos da moeda em que se pretende investir. Isso às vezes é trabalhoso, mas reservar um tempo para se informar melhor sobre os riscos pode poupar você de dores de cabeça no futuro.

Semanalmente a comunidade Monero se reúne em um tópico no reddit (/Monero) chamado de “Domingo do Ceticismo” (“Skepticism Sunday“), onde os usuários falam dos problemas, temores e possíveis riscos que podem fazer com que o Monero não seja bem sucedido.

Confira abaixo uma lista resumindo as principais limitações do Monero apontadas pela comunidade.

1) Há risco de falha/bug no software

Uma maneira de se avaliar esse risco é avaliando o tempo de existência da moeda e o seu histórico de ataques/bugs. O Monero já existe desde abril de 2014.

Toda criptomoeda apresenta o risco de existir uma falha grave no software. Essa falha poderia acontecer espontaneamente ou ser explorada por algum hacker. O Monero já teve um bug grave descoberto em 2017, que, caso fosse explorado, permitiria que um usuário pudesse fazer um gasto duplo. Felizmente os desenvolvedores da equipe Monero puderam verificar que nenhuma transação foi criada com esse bug e logo enviaram uma correção para a falha. Além disso, todas as moedas que usam o mesmo protocolo do Monero (CryptoNote) foram avisadas da falha.

Adicionalmente, o próprio sucesso do Monero irá aumentar as chances de alguém achar alguma falha. Quanto maior for o preço da moeda, mais ela irá atrair tentativas de ataques por hackers, pois maior será a recompensa para quem conseguir explorar alguma brecha no código-fonte.

2) A quantidade de moedas em circulação não é auditável

As criptomoedas com blockchain transparente (como o Bitcoin) têm uma vantagem em relação às moedas privadas: a quantidade de moedas  em circulação (a oferta circulante) é auditável por qualquer usuário. Isso significa que, se algum dia algum hacker descobrir alguma falha no código, conseguindo criar moedas a partir do nada, isso não passaria despercebido pelos usuários.

No entanto, como o Monero é privado, ninguém consegue ver quantas moedas realmente estão em circulação. As únicas moedas que são visíveis publicamente na rede são as que são geradas nas transações coinbase, que são as transações nas quais os mineradores se auto-remuneram como forma de recompensa pelo trabalho de mineração. Algumas pessoas dizem que no Monero é preciso “confiar na matemática”. Caso algum dia um hacker descobrir uma falha e conseguir criar moedas a partir do nada, ninguém conseguirá detectar essa geração de moedas. Apenas serão sentidos os efeitos secundários da criação desenfreada de moeda, como a queda do preço nas exchanges (quando o hacker resolver vender suas moedas).

Portanto, ao criar uma criptomoeda, os desenvolvedores tem que tomar uma difícil decisão (trade-off) entre duas opções: ou ela funciona como o Monero, que tem uma oferta circulante não-auditável (perfectly hiding) ou, ela funciona como o Bitcoin, que tem uma oferta circulante perfeitamente auditável (perfectly binding). Os usuários do Monero tendem a acreditar que a primeira opção é a mais importante: perder privacidade é algo muito pior do que apenas perder dinheiro.

3) As transações são muito grandes, limitando a escalabilidade

Devido à sua tecnologia de privacidade, as transações na rede Monero são maiores do que as transações em criptomoedas não-privadas, como o Bitcoin. Em média, a transação do Monero é cerca de 5 a 8 vezes maior do que a do Bitcoin. Portanto, comparativamente ao Bitcoin, a blockchain do Monero cresce em tamanho cerca de 5-8x mais rápido. Ao atingir um tamanho muito grande, a blockchain poderia limitar a escalabilidade da moeda, assim como comprometer a descentralização dos nodos.

Antigamente as transações do Monero eram ainda maiores. Em outubro de 2018 foi introduzido as Bulletproofs, que reduziram o tamanho das transações em cerca de 80%.

4) Existe um risco de vulnerabilidade à computação quântica

Muitos questionam o algoritmo de criptografia do Monero por ele não ser resistente à computação quântica, que ainda não existe. Caso ela venha a existir, a computação quântica poderia ser usada para quebrar a proteção do algoritmo e revelar todas as transações que já foram realizadas na rede, permitindo a análise e o rastreamento dos usuários.

5) A má reputação pode limitar o uso

Muitos entusiastas do Monero consideram a privacidade como um direito humano. No entanto, muitos governos e diversas pessoas do público em geral não tem essa mentalidade, e defendem que a privacidade é algo necessário apenas para pessoas que fazem coisas erradas e têm algo a esconder.

O algoritmo de prova-de-trabalho (PoW) do Monero tem como objetivo fazer com que a mineração da moeda seja possível de ser realizada em computadores pessoais comuns. Como efeito colateral indesejado, alguns hackers se aproveitam disso para desenvolver vírus que usam os recursos das máquinas infectadas para minerar de maneira escondida, sem o consentimento do dono.

Infelizmente, a divulgação de notícias sobre atividades criminosas que foram realizadas através do uso da moeda é algo que pode afetar negativamente a reputação do Monero, limitando a sua adoção. Os governos podem usar essa má fama como justificativa para restringir ou proibir a negociação da moeda em exchanges tradicionais.


O que você acha sobre as limitações do Monero? Você acha que elas podem comprometer o futuro da moeda? Deixe sua opinião nos comentários!