Projeto Kovri: escondendo a transmissão das transações

O Monero já é reconhecido por toda a comunidade das criptomoedas como um campeão da privacidade. Em sua blockchain, o arquivo que registra todas as transações já efetuadas, ele consegue armazenar de maneira secreta vários dados importantes das transações, como o remetente, o destinatário e a quantia transacionada. Mas podemos dizer que ele é 100% anônimo?

Infelizmente, não. Ainda existe uma limitação que precisa ser corrigida.  Neste artigo nós iremos falar sobre o Kovri, um projeto que vem sendo desenvolvido pela equipe Monero para esconder a transmissão das transações na rede, melhorando ainda mais a sua privacidade.

 Como as coisas funcionam hoje

Toda vez que a sua carteira de criptomoeda se conecta a uma rede ponto-a-ponto (P2P) para transmitir uma transação, ela revela para outros nodos da rede algumas informações, como o seu endereço IP e alguns metadados, como a data e a hora em que a transação foi realizada. Isso ocorre em praticamente todas as criptomoedas.

Ao usar uma carteira Monero em um computador ou celular, o endereço IP do dispositivo é divulgado na rede Monero e em sua rede local ou internet. Isso pode ter implicações para a sua privacidade.

Outras pessoas (o seu provedor, o seu chefe, outros usuários da internet) podem saber que você andou utilizando uma carteira Monero. Mas eles não tem como saber se você fez transações ou quantos XMR você enviou e recebeu.

Além disso pessoas má-intencionadas podem programar os seus nodos para armazenar todos os endereços IPs que se conectam na rede da moeda. Eles também podem armazenar de maneira permanente todos os IDs das transações que são transmitidas por um determinado endereço IP.

Atualmente, para fazer transações do Monero com endereço IP escondido, o usuário precisa usar o Tor. O Tor é uma ferramenta muito conhecida e que se conecta a uma rede anônima mundial. Ele recebe financiamento de milhões de dólares anualmente e possui milhões de usuários ao redor do mundo. Ele já é muito bem pesquisado e ganha muita atenção da mídia. No entanto, o Tor não funciona muito bem para redes P2P, que é o tipo de rede usada pelo Monero. Além disso, muitas questões já foram levantadas em relação ao anonimato do Tor, devido à presença de uma possível infiltração do governo dos EUA na organização, assim como uma certa centralização na rede.

Kovri – Escondendo a transmissão das transações

A fim de esconder essas informações vazadas, o Monero está trabalhando em um projeto chamado Kovri. Ele tornará a rede Monero uma rede completamente anônima e viável, além de ser uma alternativa viável ao Tor.

Kovri é um roteador anonimizador do I2P escrito em C++. No futuro, os nodos da Monero irão se conectar uns aos outros através da internet comum e de uma rede anônima. Haverá maneiras de se rodar tanto na internet comum (clearnet) ou na darknet.

O Kovri irá prevenir que nodos maliciosos rejeitem transações originadas de certos endereços IPs ou monitorem quais IPs transmitem essas transações. Talvez a características mais empolgante é que o Kovri funciona com qualquer projeto que quiser incorporá-lo, incluindo outras criptomoedas. Seria relativamente simples outra moeda adotá-lo.

Ao usar o Kovri, os usuários estarão executando roteadores I2P completos, que irão contribuir para a rede I2P da mesma maneira que o roteador em Java atualmente contribui. Ou seja, o projeto Kovri irá beneficiar ambas as comunidades, aumentando a privacidade do Monero e aumentando o número de nodos na rede I2P.

No futuro, em sua versão final, o Kovri estará sempre ativo por padrão nos clientes Monero. Ou seja, todas as transações terão confidencialidade garantida, pois utilizarão a tecnologia das transações confidenciais em anel (RingCT) associadas à tecnologia do Kovri.

Conclusão

O projeto Kovri será uma implementação de um roteador em uma camada do projeto I2P que ofuscará as conexões na rede Monero. Após ser implementado nos clientes e carteiras do Monero, não somente os dados de suas transações estarão protegidos, mas também a sua conexão. Ou seja, a privacidade do Monero esconderá o remetente, a quantia, a transmissão da transação e o recipiente através das seguintes tecnologias:

  • Remetente: assinaturas em anel (ring signatures)
  • Quantia: transações confidenciais em anel (RingCT)
  • Transmissão da transação: Kovri (roteador I2P)
  • Destinatário: endereços stealth (camuflados)

Desta maneira, o projeto Monero estará se aproximando de seu objetivo final, que é ser uma moeda completamente privada e fungível, sendo útil e segura em qualquer país ou região em que seu usuário estiver, seja na China (a referência da censura na internet), seja no Brasil.

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